Pesquisa brasileira cria biotintas com grafeno que regeneram o coração
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Tiradentes está avançando no uso do grafeno para a criação de biomateriais voltados à recuperação de tecidos cardíacos. O estudo é conduzido pela doutoranda Érika Santos Lisboa, aluna do terceiro ano do Doutorado em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia, e investiga o desenvolvimento de biotintas à base de hidrogéis e nanomateriais para bioimpressão 3D de tecidos do coração.
A pesquisa conta com a participação do Laboratório de Nanotecnologia e Nanomedicina, do Instituto de Tecnologia e Pesquisa, além de uma colaboração internacional com a University College Dublin, na Irlanda. Parte do trabalho foi realizada durante um doutorado-sanduíche viabilizado pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), envolvendo ainda o Instituto de Engenharia Nuclear, ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear.
O grande diferencial do estudo está no uso de nanopartículas de óxido de grafeno funcionalizado com polifenóis, aplicadas à engenharia de tecidos cardíacos. O material vem sendo utilizado para desenvolver sistemas capazes de oferecer suporte estrutural, melhor interação celular e propriedades eletrocondutivas, fatores essenciais para a construção de tecidos cardíacos funcionais em laboratório.
De acordo com Érika, a atual etapa da pesquisa está concentrada na produção de hidrogéis e em ensaios in vitro para avaliar a citocompatibilidade dos materiais. O objetivo é criar biomateriais biocompatíveis que possam, futuramente, ser empregados na reparação ou substituição de tecidos do coração, além de contribuir para testes farmacológicos mais eficientes.
A pesquisa também destaca o potencial do grafeno na nanobiotecnologia aplicada à saúde. Por suas propriedades físico-químicas, o material tem despertado interesse crescente em aplicações médicas, especialmente em áreas como medicina regenerativa, bioengenharia e impressão 3D de tecidos humanos, podendo acelerar o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados e menos invasivos.
Mesmo antes da conclusão da tese, prevista para 2027, o trabalho de Érika já recebeu reconhecimento internacional. A pesquisadora foi uma das vencedoras do prêmio “25 Mulheres na Ciência da América Latina”, promovido pela 3M, reforçando a relevância científica do estudo e o potencial do grafeno como um dos materiais mais promissores para o futuro da saúde.

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